INTERFIBRAS apresenta nanopapéis de celulose com cera de carnaúba no SLAP 2026
O Dr. Rafael Grande representou o INTERFIBRAS no SLAP 2026, em Salvador, com um pôster sobre nanopapéis de celulose e cera de carnaúba para embalagens de base biológica.
22 de outubro de 2026
O Dr. Rafael Grande representou o INTERFIBRAS no SLAP 2026, em Salvador, com um pôster sobre nanopapéis de celulose e cera de carnaúba para embalagens de base biológica.
O Dr. Rafael Grande, coordenador do INTERFIBRAS, participou do XIX Latin American Symposium on Polymers (SLAP 2026), realizado em conjunto com o XVII Ibero-American Congress on Polymers, em Salvador (BA), no Gran Hotel Stella Maris Urban Resort & Conventions, entre os dias 19 e 23 de outubro de 2026. Organizado pela Associação Brasileira de Polímeros (ABPol), o SLAP acontece a cada dois anos desde 1988 e é um dos principais encontros de ciência de polímeros da América Latina.

O trabalho apresentado
O grupo apresentou o pôster "Cellulose nanopapers containing carnauba wax for biobased packaging applications", em coautoria com a pesquisadora Rafaela Cristina Sanfelice, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O trabalho parte de uma limitação conhecida: nanopapéis de nanofibrilas de celulose (CNF) têm bom potencial como barreira ao oxigênio, mas são hidrofílicos — absorvem umidade, o que restringe seu uso em embalagens de alimentos. A cera de carnaúba, um material natural, renovável e hidrofóbico, é uma candidata direta para contornar esse problema.
O estudo compara duas formas de incorporar a cera ao nanopapel:
- Arquitetura mista — a emulsão de cera é misturada à suspensão de celulose antes da filtração, e a cera fica dispersa em uma rede contínua de nanofibrilas
- Arquitetura em camadas — a cera é filtrada primeiro e forma uma camada inferior, sobre a qual a celulose é depositada
Como os filmes foram produzidos
As nanofibrilas de celulose foram obtidas a partir de bagaço de cana-de-açúcar, em suspensão aquosa a 0,5% em massa, e a cera foi usada como emulsão aquosa estável e sem surfactantes. Os nanopapéis foram formados em um sistema de filtração assistida por pressão construído sob medida, com 5%, 10% e 20% de cera na rota mista e 20% na rota em camadas.
Resultados preliminares
Os nanopapéis obtidos são autoportantes, com gramatura entre 60 e 72 g/m², e ficam mais opacos à medida que o teor de cera aumenta. A incorporação da cera elevou o ângulo de contato com a água em relação ao nanopapel de celulose puro, que é bastante hidrofílico.
O resultado mais interessante veio da arquitetura em camadas: as duas faces do filme se comportam de forma bem diferente. A face com cera chega perto de 90°, valor próximo ao da própria cera, enquanto a face de celulose permanece hidrofílica, com pouco mais de 30°. Essa molhabilidade assimétrica interessa a embalagens em que cada lado do material cumpre uma função diferente.
Por que isso importa
O trabalho se insere na linha de filmes e membranas do INTERFIBRAS e combina duas matérias-primas renováveis e tipicamente brasileiras — o bagaço de cana e a cera de carnaúba — em rotas totalmente aquosas. Levá-lo ao SLAP aproxima o grupo da comunidade latino-americana de polímeros e abre espaço para novas colaborações em embalagens de base biológica.
A pesquisa conta com apoio da FAPESP (processos 2025/08717-9 e 2023/03039-7).
